O artigo “O Presidente”é de autoria do jornalista, advogado e ex-ponta-esquerda do Fluminense, Flamengo e Santa Cruz, Recife, José Roberto Padilha, mais conhecido como Zé Roberto:

“Finalmente uma notícia bacana para o futebol brasileiro: um ídolo seu rompe o imobilismo, deixa de lado uma secular omissão da sua classe e coloca, finalmente, seu nome e prestígio para o ocupar o seu mais alto cargo: Paulo César Lima, nosso tricampeão mundial, Presidente da CBF. Se tiver debate na TV, é até covardia. Pesquisa do Datafolha, então, ganha no primeiro turno. Porque estamos cansados de ver aquela poltrona mais cobiçada, centralizada e macia dos mundiais ocupada por quem não nos representa. Daí um garoto iraquiano, outro canadense, como milhares que acompanham as copas do mundo, pergunta ao colega ao lado: “Quem é aquele? Eles não têm um Maradona?” Temos visto Platini, Passarela, Beckenbauer em todos os mundiais circulando entre as autoridades. Os nossos apenas ocupam microfones. É muito pouco para o tamanho do prestígio que alcançamos dentro das quatro linhas.

Há anos, nossa atenção tem sido desviada para a escolha do treinador. E o momento triunfante, o ápice, tem sido o anúncio dos jogadores convocados. Porém, quem escolheu o treinador? E fechou o contrato com a Nike, o Banco Itaú e com a Coca-Cola? E teve a falta de ética, moral e caráter de continuar cedendo a Rede Globo de Televisão os imorais direitos exclusivos de transmissão? E não se insurgiu contra a convocação do Fred e viu, debaixo dos seus panos, um goleiro comum ser convocado, mantido, endeusado até se tornar a mais cara contratação da história? E nem uma CPI foi convocada para apurar quem levou algum nesta história.

Como atleta e treinador, desde os juvenis até os profissionais, tenho presenciado nossas delegações serem comandadas por cartolas. Tais figuras, estranhas ao meio, que aparecem de terno nos aeroportos e nos chefiam, e que no México carregavam divisas nos ombros, falam outra língua. O problema é que tínhamos tanto talento dentro de campo que pouco importava seu desconhecimento de causa. Mas agora é diferente, faltam centroavantes. E o camisa 10 você só encontra no Museu do Futebol. Não dá mais para permitir um comando alienígena até o Catar.

Paulo César Lima, ficha limpa, é a cara da nossa diversidade. Carrega as marcas da superação e o talento puro, cristalino do jogador brasileiro. E fala o dialeto de um menino que começou jogando em campos de terra batida e foi superando seguidas barreiras. Até ser condecorado nosso Embaixador na França. Sempre elegante, bilíngüe, um diplomata da bola, não haverá um só cidadão brasileiro que não se orgulhe de vê-lo sentar ao lado do príncipe. De vê-lo empossado Presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Eu voto. E você?