Por Basília Rodrigues – Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), mantém as atenções voltadas para a política brasileira. Em entrevista concedida ao CBN Noite Total, o ex-ministro da Corte deixou em aberto a possibilidade de se candidatar à Presidência da República no ano que vem. Barbosa ainda criticou a postura dos representantes das principais legendas após tantas denúncias de corrupção:

“Não nego que venho sendo sondado por partidos, movimentos e por pessoas na rua. Por onde eu vou, essa eventualidade é evocada. Mas eu, pessoalmente, não me decidi. A eleição do ano que vem vai lembrar a de 1989, a primeira após o ciclo militar. Não sei como as lideranças dos três maiores partidos políticos brasileiros, PMDB, PSDB e PT, ainda terão coragem de apresentar à nação candidatos à eleição.”

No Dia da Consciência Negra, o ex-presidente do STF enalteceu os avanços na temática racial que foram alcançados nos últimos anos e reconheceu a importância de políticas de afirmação como as cotas em universidades públicas. No entanto, a situação ainda é muito complicada para os afrodescendentes no país.

“Finalmente o Brasil começa a reconhecer o peso histórico da escravidão e da discriminação racial, que sempre foi a marca da sociedade brasileira. Durante décadas, o país tentou camuflar essa questão. É preciso se conscientizar de maneira que nós jamais seremos um país de primeira linha enquanto não atacarmos essa questão”, afirma.

O cenário para progressos em questões comportamentais e de costumes é delicado. “Vejo um contraste abismal entre o Brasil da época em que eu deixei o Supremo, em agosto de 2014, e o de hoje. A degradação institucional é visível. É observada com pavor pelo mundo todo. Só os brasileiros que não percebem isso. O país precisa, com urgência, virar essa página”, acredita Joaquim Barbosa.

O antigo presidente do STF, que ficou conhecido durante o julgamento do caso do Mensalão, reforça que o período em que esteve no tribunal foi áureo para a vida social no Brasil. Nessa época, a questão do casamento homoafetivo foi debatida no plenário, por exemplo. Outra determinação dos magistrados que Joaquim Barbosa elogia é o fim do financiamento empresarial de campanhas.

“Considero uma das grandes decisões do STF. É a proibição de acesso dos políticos à tesouraria das grandes empresas. É uma determinação crucial, terá reflexos muito grandes nas eleições presidenciais. Os políticos profissionais não se conformam com isso. Com certeza, essa corrupção devastadora era em grande parte alimentada pela possibilidade de as empresas doarem”, conclui Barbosa.