Ao receber homenagem do Ministério Público Estadual do Rio, o ministro Luiz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta sexta-feira (15), que a fotografia do momento brasileiro é “devastadora” devido à corrupção endêmica e sistêmica revelada pela operação Lava-Jato. Não foi um fato isolado, foi uma corrupção que contaminou empresas estatais, agentes públicos, privados, partidos, membros do Legislativo e do Executivo. É impossível não sentir vergonha pelo que aconteceu no Brasil nos últimos anos –- disse ele.

Barroso afirmou que não faz diferença se o dinheiro da corrupção foi utilizado para caixa dois ou em proveito próprio, porque seus danos para a sociedade são os mesmos, com desvio de dinheiro que deveria ser aplicado em serviços públicos: O problema é de onde o dinheiro vem e o que se faz para obtê-lo.

Ele criticou duramente a classe política: Este é o modo ordinário de se fazer política no Brasil, naturalizou-se a corrupção. Ela tornou-se um meio de vida e de fazer negócios. A sociedade se tornou consciente de que somos liderados pelos piores. Para Barroso, essa é uma oportunidade de o país fazer uma mudança cultural e recomeçar em novas bases:

–Estamos enfrentando no fundo uma batalha cultural, para superar ranços de patrimonialismo, da cultura de ficar pendurado no Estado. Não é só um esforço para punir as pessoas que fizeram coisas muito erradas, mas também é uma batalha cultural, um avanço civilizatório, superar a cultura de desviar dinheiro público, de achar que o que é publico não pertence a ninguém.