“O Complexo Penitenciário Doutor Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em Sao Cristóvão, município vizinho de Aracaju (SE), é uma bomba relógio e a qualquer momento pode haver uma rebelião”. O alerta é do presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade que há mais de um ano vem alertando as autoridades para a situação caótica do sistema prisional em seu estado. E, segundo ele, a situação continua cada vez mais alarmante. Veja o que ele disse hoje (03) após ver as imagens de um presídio em Goiás onde morreram vários detentos: “Em Sao Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil, a situação calamitosa: absurda superlotação, nefasta degradação humana e absoluto controle do sistema prisional pelas facções criminosas.

No entanto, nunca se gastou tanto em construção e manutenção de penitenciárias. Hoje um detento é mais caro que um estudante e no Brasil se edifica mais presídios do que escolas. Os governos gastam muito dinheiro para alimentar a escola do crime organizado. Nos presídios, ao invés de passarem por um processo de ressocialização, os presos, submetidos a condições desumanas e degradantes, aprendem a lei da sobrevivência no submundo do crime: a brutalidade com requintes de crueldade como demonstração de força e poder.

Está tudo errado. Esse sistema é ultrapassado e falido. E a quem interessa manter esse modelo prisional com gastos mensais de bilhões de reais? Interessa ao crime organizado e aos corruptos do colarinho branco, todos marginais de alta periculosidade. O estado brasileiro precisa urgentemente de nova e moderna política criminal, senão continuaremos vivendo em situações dantescas e em violência galopante e cada vez mais tenebrosa.”