O clima de baixaria que se instalou antes de mesmo de se iniciar a campanha para a sucessão do Conselho Federal da OAB – fato inédito na história da entidade – levou o candidato natural ao cargo, o atual vice-presidente nacional da entidade dos advogados, Luís Claudio Chaves a desistir de lançar seu nome à disputa. “Não quero ser protagonista de uma guerra que se avizinha”, afirmou ele em mensagem aos demais presidentes das OABs estaduais à qual o Diário do Poder teve acesso.

No dia 8 de janeiro, o presidente do Sindicato dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro, Alvaro Quintão havia denunciado o presidente da OAB de seu estado, Felipe Santa Cruz, de gastar R$120 mil dos cofres da entidade na confecção de 17 mil agendas para distribuição aos advogados inscritos na Seccional do Pará, como parte de sua estratégia de uma campanha para se eleger presidente nacional entidade. Santa Cruz negou, mas mesmo assim a Corregedoria do Conselho abriu investigação, tendo em vista outra denúncia de que a OAB-RJ estaria canalizando recursos para mobiliar a sede da OAB do Ceará na avenida Washington Soares, em Fortaleza.

Na representação encaminhada à Corregedoria, Quintão alertou para fato de que repasses de uma Seccional a outra precisam ser, obrigatoriamente, apreciados e aprovados pelo Conselho Federal da OAB, conforme estabelece o §5º, do artigo 56, do Regulamento Geral da entidade. Em tom de desabafo, dizendo-se “frustrado e triste”, Luís Claudio, que também é conselheiro federal por Minas Gerais, lamentou que o clima de vale-tudo tenha chegado a uma entidade que devia ser exemplo ao país. “Estamos na fase crítica do desencontro, da intolerância, do ódio”, escreveu.

Mais adiante, assinalou: “A disputa se desenhou. Poderia ir para a disputa, mesmo porque são elas salutares e democráticas. Mas o momento, para mim, não é dividir, pois nossa classe precisa de nós. Frustrado e triste, mas consciente da minha responsabilidade, resolvi não encabeçar disputas porque não quero ser um dos protagonistas da guerra que se avizinha nas eleições da OAB. Já temos adversários demais nas violações ao estado democrático de Direito”.

Carta enviada pelo vice-presidente nacional da OAB aos presidentes das Seccionais:

Colegas,

Vivemos momento difícil. Estamos na crítica fase do desencontro, da intolerância, do ódio.
Assim caminha o vale tudo nas eleições em outubro. A OAB deveria dar o exemplo nas suas disputas internas.
Estou na Ordem para somar e multiplicar. Ao lado de valorosos advogados e advogadas assim fiz em Minas Gerais.
Chegamos ao Conselho Federal com o mesmo propósito e determinação. Procurei ser leal com meus pares, íntegro nos meus passos e agregador. Batalhei, batalho e batalharei sempre pela advocacia, em qualquer posto e independente de cargos. Fui, com muita honra (mas despido de orgulho), cotado por muitos colegas para a sucessão presidencial da OAB. Minha intenção é sempre, com lealdade e respeito, como Pré-candidato, servir minha Classe.
Sempre encontrei na minha terra (Minas Gerais) apoio maciço (só tenho que agradecer). No âmbito nacional não encontrei alguns apoios que para mim eram certos e essenciais para pacificar uma candidatura de consenso, de união. A disputa se desenhou.
Poderia ir para disputa, mesmo porque são elas salutares e democráticas. Mas o momento, para mim, não é de dividir, pois nossa classe precisa de nós. Frustrado e triste, mas consciente da minha responsabilidade, resolvi não encabeçar disputas porque não quero ser um dos protagonistas da guerra que se avizinha nas eleições da OAB. Já temos adversários demais nas violações ao estado democrático de direito.
Quero exercer na PLENITUDE, se Deus quiser, o meu mandato de Conselheiro Federal e de Vice-Presidente da OAB até 31.01.2019, me colocando SEMPRE a serviço da advocacia e da cidadania.